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domingo, 17 de dezembro de 2006

Lembrar é bom, esquecer pode ser melhor

Barulho no telhado de zinco, correndo os olhos pela janela, ela vê grandes gotas de chuva caírem no solo que as recebe de bom grado.

- Eita menina! Como vai embora agora?- grita a patroa.
- Eu... Bem eu não sei não, dona.
- Menina esquecida, nunca escuta que se deve andar sempre com sombrinha?
- Sim, eu sei, mas...

Ela então vai, o vestido, os cabelos e o corpo, a molhar com a chuva de verão. Na esquina, próxima a sua casa, uma calçada com azulejos, escorregão, corpo ao chão. Dolorida e com vergonha, levanta devagar, uma mão, não uma não, mas duas mãos a ajudar, e dois olhos brilhantes, que ela só pensava que existisse nos seus sonhos e quando lia as histórias de amor vendidas em banca de jornal.

- Você se machucou? disse o dono dos olhos.
- Não, não foi nada.- ela disse.
- Não, foi tudo, o Tudo e o mais – foi o que ela sentiu.

Essa menina esquecida, nesse dia aparentemente comum, não imaginava encontrar o amor de sua vida, e sua Avó não imaginava a dádiva que sua neta teria, ao esquecer mais uma vez de suas palavras.

- Ai fia, leva a sombrinha que vai chover!

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